De vez em quando apareces-me assim, do vazio. Sorri-te com tristeza. Devolveste.
Pousaste um beijo e sentaste-te sem pedir licença, como sempre fazes, aíás.
Ficaste, foste ficando. Inquietei-me, queria voltar ao estado de letargia em que estava antes de chegares, à doce preguiça de estar numa história, a do livro, mais interessante do que a minha, que não tem páginas, apenas algumas, mas curtas, memórias.
O sol doirava-te a presença e tu falavas e eu não te ouvia.
Não te quero ouvir.
A a cacofonia do costume, a algazarra de gritos e de ansias que tenho, a custo, confesso, tentado arrumar num canto perdido qualquer.
Mas lá estavas tu, cada vez mais presente, com o sol a doirar-te, a abrir-te o caminho.
E apeteceu-me esmagar-te, escangalhar-te, mostrar que não te quero na minha vida, não a ti, estúpida saudade.
Detesto-te.



