miss mal contente



Saber que a entrega é para poucos ou quase nenhuns, ver que o tempo é larápio de metro e me rouba o descernimento, sentir que cheguei aqui, ao dia de hoje, como uma retornada de lugar nenhum, que trago comigo pouco mais de uma réstia do que fui. Abrir a porta de casa, ver tudo como deixei, ninguém tocou, ninguém mexeu ou mudou de lugar. Tudo como deixei... a desarrumação arrumada que vou tentando imprimir a tudo para lhe dar algum aspecto de vida, a cor que tento pugnar por vestir para que se confunda com o meu cinzento para que os desatentos de mim continuem a ver o que fui e não o que me tornei. Abraçada a uma angústia que gostaria de "desabraçar" de vez. E a música ... "the spring is turning your face to mine".... e os tons que serpenteiam os ritmos dos meus pulsos, do mais fundo do que sou.... "can you help me?"

Não fales


não fales

queria que me guardasses sem mágoas.

queria que visses o meu lado bom e só esse.

queria que me levasses nos teus beijos, na tua boca, para onde quer que o vento te levasse, como uma fina poeira de nós.

Queria guardar de ti os silêncios, os momentos em que lemos o jornal ao sol, os momentos em que me perguntavas

"diz-me o que te prende a esse livro, tenho ciúmes"


guardar a tua ternura enroscada no meu corpo à noite

"aperta-me com força para eu saber que gostas de mim"

guardar o ar com que te alimentas, com sacríficio, sem prazer.

"achas que comi bem?"

guardar os remoinhos do teu cabelo pela manhã e os pijamas ... sempre maiores do que dois de ti.

já esgotámos as palavras, fiquemos em silêncio. Em silêncio, amo-te.

Não fales.

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