Estranho como hoje me sinto desligada de ti e dos nossos segredos.
Hoje poderia ser arrebatada para a pista, dançar Billy Idol, pular Rolling Stones, rodopiar Brian Ferry ou o hoochy coo, sem que me lembrasse de ti uma única, uma única vez... ou sem (como antes) que a culpa me vestisse a pele.
Estranho como todos os actos libertadores que fui procurando envidar se transformaram no derradeiro acto desta peça teatral das nossas vidas desmedidas e pouco (tão pouco) destemidas.
Neste momento, neste preciso e exacto momento, já não te tenho comigo. Sobra-me apenas a duvida... agora que me desprendi de ti, o que mais tenho para dizer?
Que faço à angústia e aos anos que roubei ao tempo? O sofá dos pensamentos... será o mesmo? continuarei a chorar nos filmes a preto e branco? Saberei viver sem a tua sombra irrequieta pousada em tudo o que faço?