De olhos despertos

Ela é feita de tristezas, de modo que se vai escondendo entre os sorrisos embriagados e as conversas de circunstância tidas a várias vozes.
Traz medos que esconde entre gins e whiskys e espanta-a a foleirice das pessoas.
Busca o seu mundo no colo dos outros e neles encontrou a clareza do seus demónios.



Era a droga das horas, o vício das peles entrelaçadas, do cheiro da curva do pescoço, das mãos mesclados de harmonia e desejo.
Chegaram as palavras que abriram fendas na pele. Chegaram dias de olheiras, dias de pronfunda intimidade consigo mesmo, monólogos inacabados, tristes e pensativos. Cigarros trémulos e que lhe assentam mal.




Em si os gritos vão aumentando de volume à medida que dança uma música sem fim, coberta de erros e de notas agudas.
A saia cobre-lhe as pernas e os pés vão descalços pela terra húmida e morna, sonha com lugares onde se possa comover, com malmequeres numa cozinha de portas azuis pintada.



Quem nos pode matar os sonhos? A quem damos nós o poder para nos amassar as entranhas?

Quando se chora em pé e se baixa a cabeça, é possível ouvir o som das lágrimas?

One of this days...



Um destes dias pintalgo-me assim
e assim 
E depois sou despedida.....

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