Dentro/lado esquerdo dominante/inverno*

(aqui neste lugar que é o dentro) há apenas lugar para a tua narrativa, para o monólogo que o coração inicia sem que a cabeça acompanhe os raciocínios dessa casa devastada pelo mofo dos sentimentos.
há apenas lugar para a tua intimidade: desconhecida, anónima e crua. existes tu e os restantes demónios, mais ou menos domesticados, dos outros.
existes tu numa solidão silenciosa que grita a espaços.
as feridas, outrora viradas do avesso a pó de arroz, despregam-se do que tens de mais profundo, a tua pele.
aqui onde tu não estás já não há amores-perfeitos nas janelas, a cor materalizada nos sorrisos das mãos que entrelaçavamos encerra um pause à espera de emergir em uma outra história por contar. a ausência estilhaça as memórias e dentro de mim é Inverno.


*(de quando este acorda-me era apenas o sítio das minhas angústias e de como, por vezes, tenho necessidade de que volte a ser)

12 comentários:

  1. gosto tanto dessa versão do acorda-me. nao gosto da parte de 'angustia' mas tamém é cá precisa às vezes :)*

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  3. Lindíssimo! (algo não correu bem no comentário acima :) )

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  4. Obrigada, Cláudia :) **** porque tudo isto se resume a que não seja só "an ordinary life" ;)

    (lindo´sítio, o teu)

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    1. Exactamente,Vanessa...;) life's too short* :)

      e obrigada!

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  5. As tuas palavras estão lindíssimas. Gostei mesmo muito de ler.:)
    Mua mua.

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  6. que texto tão bonito. muito triste, mas tão bem escrito. não conheci esse lado do acorda-me. e sim. às vezes também é preciso. *

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  7. ó Vanessa, existe nas nossas "superficialidades", por vezes, uma intensidade e uma profundidade que nem nós nos apercebemos.Essa cena de abrir a alma, aviso-te, é um esquema traiçoeiro.

    A mim, apesar de te mal te conhecer, fazes-me imensa companhia.

    Na verdade, o que me fez passar por aqui e voltar foi quando, um dia, li umas linhas curtas sobre uma tal de "tua segunda vida".

    A partir daí, para mim, passar pelo teu yard é acompanhar essa viagem, saltar entre lugares, passear entre sapatos, janelas, muros, casacos, vasos, bolsas, amigos, pratos feitos e beijos, bichos, mãos dadas e abraços. Mas não é só.

    É sobretudo a sensação de que, por trás desta fantástica viagem, existe uma fantástica história de amor tu não te acanhas de viver.

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    1. Teresa,
      ler-te foi um sopro de bem estar. Aqui partilho as coisas que me fazem bem, as coisas de que gosto. Senti necessidade disso, sem bem saber explicar porquê, quando vim viver aqui para o Porto. Deixei para trás grandes amigos, dos fiéis, dos que ficarão para a vida, e vim para uma cidade que mal conhecia, sem amigos e com poucos conhecidos. ler-te fez-me sentir acompanhada. obrigada por isso. sou feliz aqui. fazem-me falta as pessoas. mas tenho-te a ti e a elas, as que por cá passam. ainda bem que vocês estão aí, desse lado. ainda bem que te faz bem passar por cá. a mim faz-me seguramente muito bem saber que estás aí. um grande beijinho!

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  8. Que lindo o texto! Fantástico!

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