Dentro/lado esquerdo dominante/inverno*

(aqui neste lugar que é o dentro) há apenas lugar para a tua narrativa, para o monólogo que o coração inicia sem que a cabeça acompanhe os raciocínios dessa casa devastada pelo mofo dos sentimentos.
há apenas lugar para a tua intimidade: desconhecida, anónima e crua. existes tu e os restantes demónios, mais ou menos domesticados, dos outros.
existes tu numa solidão silenciosa que grita a espaços.
as feridas, outrora viradas do avesso a pó de arroz, despregam-se do que tens de mais profundo, a tua pele.
aqui onde tu não estás já não há amores-perfeitos nas janelas, a cor materalizada nos sorrisos das mãos que entrelaçavamos encerra um pause à espera de emergir em uma outra história por contar. a ausência estilhaça as memórias e dentro de mim é Inverno.


*(de quando este acorda-me era apenas o sítio das minhas angústias e de como, por vezes, tenho necessidade de que volte a ser)

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