segunda morada



e aqui estamos, prestes a abandonar mais 365 dias de vida. 
deixamos para trás a sonoridade do passado e vamos, ainda surdos do futuro, celebrar fins e começos, com copos que se erguem, entre pessoas que queremos que partilhem a nossa dança em permanente estado de nascença. 

cada ano é como que uma espécie de segunda morada, uma nova oportunidade de sermos um bocadinho mais do que fomos, de nos subtrairmos na experiência daquilo que não queremos voltar a ser. aprimoramo-nos, ou assim devíamos. 

gosto deste cheiro a esperança que se mistura com a lenha queimada, com a mesa cheia das pessoas nossas, as que já cá estavam e as que chegam. 
ao mesmo tempo, ainda assim, a nostalgia fica-me. 
sou melancólica (como me disseste um dia - há sempre uma tristeza em ti que se sente) e conta de adição.
sou o tanto e o pouco sem eternidades, mas presente.

nesta altura - a do abandono do que fica para lá - o coração bombeia o tempo que lhe calhou, cada um parte do seu próprio território para outro, igualmente seu, partilhado ou a sós.  


que seja extraordinário o que por aí vem, senão tanto assim, pelo menos vida.



bom e feliz ano, pessoas virtualmente reais!


a fotografia é do verão e escolhi-a porque sim.
um de frente. outro de costas. lado a lado, assim como o passado, assim com o futuro.
assim como o presente

4 comentários:

  1. Susana coutinhodezembro 30, 2016

    Bom ano, linda Vanessa.

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  2. Que o ano a começar seja assim como um dia (feliz) de Verão, querida Vanessa!

    Um abraço quentinho*

    Mar

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  3. tenha um excelente novo ano. bj Zequinha

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