M de amor



Faltam-me as palavras que não chegam, nunca chegam, para explicar o que sinto para lá do lado esquerdo do corpo. faltam-me as palavras para dizer do amor, para dizer da gente que é nossa porque não há como não amar essa gente, da gente que nos salva a vida, da gente que nos oferece amor de mãos estendidas, que nos acende velas enquanto nos dá a mão, que nos prepara um pequeno almoço bonito e que, quando fica escuro, nos aquece o pijama no aquecedor antes de entrar na cama fria.
há gente que nos ama sempre, no nosso pior, no nosso melhor. há gente que nos sabe de cor, nos afasta as lágrimas e nos devolve silenciosamente as esperanças. há gente que é o amor.

Tu és

 quando regresso de ti volto sempre mais 

Em Lisboa 10.2 a 13.2.2018

epifanias

Dezembro traz sempre uma certa nostalgia uma vez que tendemos a fazer balanços de vida e de tempo, do que passou, do que nos espera (ou do que queremos que seja) em suma, é uma merda porque a pessoa, quer queira, quer não, quase que se vê obrigada a pensar nisto tudo por causa das passas de uva que vai ter de enfardar ( e vai ) na meia noite do famigerado dia 31 em que ou tens planos ou tens planos.

Entretanto, a verdade é que se torna cada vez mais hercúlea a tarefa de nos auto confrontarmos com as nossas merdas (uma trabalheira suada e, não raras, vez mal cheirosa, aviso já).

mas de repente é domingo à tarde, chove que Deus a dá (mas tu até nem dás conta da cena porque a tua casa moribunda tem tantas janelas como um bunker) estás dentro de um pijama que faria debandar meia tonelada de pessoas, o teu cabelo cheira a discoteca da noite anterior - porque não te vais pôr a lavar o cabelo ao Domingo que é um desperdício de tempo e não faz pendant com o pijama - e desatas a ver tudo quanto apanhas na Tv, desde filmes brasileiros com um som de qualidade duvidosa, a filmes mexicanos em que os personagens vestem todos coisas estranhas e tu papas aquilo tudo até ao ponto de te doerem os olhos e o crânio, mas sem desistências, sem toalha ao chão, não. firme e digna porque já que começaste agora acabas.

E vais nesta aventura dolorosa  até que chegas a um dos filmes que te põem a fazer catarses da merda toda que trazes àss costas e de repente, ao pijama e ao cabelo sujo, soma-se uma choradeira de meia noite com ranho à mistura e self pity em doses absolutamente industriais (tipo frota de camiões LS).

fazes uma lista gigante de "coitada de mim por que" e vais tendo epifanias a uma velocidade vertiginosa, tudo em ti está ao rubro, vês tudo, percebes tudo, és uma cabeça do camandro, um Einstein fodido!

Um Einstein cheio da ranho e embrulhado em rolos de papel higiénico, mas um Einstein do carago!

no fim o Einstein cai redondo a dormir, acorda todo esbardalhado e remelado, a casa está a miséria total, mas encolhes os ombros porque não queres nem saber de raio de merda nenhuma e vais, arrastada, com as meias a meio dos pés, do sofá para cama, pedindo aos anjinhos para que o dia seguinte seja só um bocadinho menos deprimente e que a tua vida se encarreire de te fazer rir deste ranho todo que largaste porque estava a chover, não tinhas o teu cão e estava um frio do caralho, tudo merdas que na equação equivalem a  +++ igual a " a tua vida é uma enorme e irreversível desgraça", ninguém te vai amparar quando te caírem os dentes ou quando as cataratas descerem e te puserem mais míope do que já és.

enfim, isto para dizer que se quiserem, por algum motivo, ter uma experiência idêntica a esta que vos acabei de relatar, ponham-se a ver o Newness e não digam que vão daqui.








AddThis